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A organização é a arte de garantir êxito em qualquer projeto, logo, para se combater o crime organizado é necessário que as autoridades se organizem, pois a cada dia que passa, cresce o descrédito dos políticos perante aos cidadãos. Se é que algum dia eles tiveram crédito.

Medo e insegurança são problemas que afligem as grandes capitais e aqui em Salvador não seria diferente. Os ataques terroristas que a cidade começou a sofrer desde o dia 7 de setembro, potencializaram o entendimento sobre a falta de segurança pública, além de ter disseminado o pânico e o terror em cada esquina.

Salvador tem uma polícia desorganizada, despreparada, mal remunerada…  É válido ressaltar que, a questão não é de generalizar o trabalho dos policiais, mas de colocar em cheque a seguinte reflexão: Quem dá segurança à população? Quem tem autoridade na cidade?

Não adianta dá respostas na mesma moeda, pois os problemas se multiplicarão. O Homem geralmente é produto do meio, com isso vemos das prisões de nossas casas gradeadas, parecendo à penitenciária Lemos de Brito, ou Carandiru, crianças que são projetos de traficantes e marginais, que futuramente entrarão para as estatísticas do crime. Mas, algumas gangues têm apoio de policiais, é aí que entra os impasses para cumprimento das leis e surge a seguinte dúvida: Afinal, em quem podemos confiar?

As interrogações não param, a cada momento elas se multiplicam. É necessário cortar o mal pela raiz, investindo naqueles que poderão ser os delinqüentes do amanhã. Enquanto isso não acontece, continuamos fazendo parte de uma população ignorante e marginalizada, que vive numa barbárie urbana sem saber qual é o lado do “bem ou do mal”. Quem tem mais conhecimento entra para política e quem não tem entra para o crime. Mas, no final todos roubam e quem acaba levando a pior é o cidadão, que sofre com a violência física e com a violência de direitos.

Só para lembrar, nas entrelinhas, meio que despercebido por alguns, existe toda uma questão política que cerceia esse “terrorismo na capital baiana” e será explorada pelos rivais do atual governo. Logo, logo, veremos os ataques dos “leões” que estão fora do poder querendo uma fatia do bolo para saciar a fome de seus estômagos, ou melhor, dos seus bolsos. Antes de chegar a poder todos são mocinhos, depois que ele é alcançado todos são vilões.

“Depois que se perde é que se dar valor”, esse celebre ditado popular resume bem a exarcebação midiática entorno da morte do legendário, mito, astro, rei do Pop Michael Jackson. Adorado, criticado, questionado, enfim, depois que o grande artista faleceu os amores platônicos, aliás, os fãs platônicos, saíram da caixa para ganhar as ruas, graças ao poder da mídia. Por que essas homenagens não foram feitas quando ele estava vivo? Eis a questão.

Encontros de celebridades internacionais – Stevie Wonder, Mariah Carey, Kobe Bryant e Magic Johnson, Brooke Shields… – Mobilização dos conglomerados de comunicação dos quatro cantos do mundo, sites, jornais, revistas… Em cada canto do centro da cidade, os ambulantes vendendo CD e DVD de Michael, biografia “instantânea” sobre Michael Jackson escrita por Chineses, gravação de ensaios antes da morte dele que podem virar DVD…

A espetacularização do falecimento de Michael transformou o fato em um empreendimento rentável. A questão aqui não é “descreditar“ essas ações em prol de Michael, mas sim o poder da mídia, que consegue disseminar em minutos, quiçá, em frações de segundos, as coisas boas ou ruins. O pior é que na maioria das vezes os furos jornalísticos não tão agradáveis assim; tornam-se, como se diz no campo jornalístico, uma “boa” notícia.

Arte- educação

Se levássemos a arte à sério como Michael levou, talvez tivéssemos menos violência, menos desigualdade social, cidadãos mais pensantes e questionadores. O aclamado rei do pop não conseguiu um status por acaso e sim pela qualidade, seriedade e disciplina de seu trabalho, representado em clipes, canções e arranjos que ficam para eternidade.

É uma pena que esse gosto pela arte pop criada por Michael e divulgada massivamente pela imprensa, passará até vir outro fato que seja mais rentável para os veículos de comunicação, pois a maioria dos cidadãos se deixa levar pela informação que está na moda. Não agravando a todos, mas uma grande maioria da população se torna “marionete”, dentro de um sistema que contribui para o aumento da informação em detrimento ao conhecimento. Se as redes de comunicação fossem bem utilizadas para promoção da educação, teríamos um país menos teleguiado, ou melhor, “Globoguiado”, “Recordguiado”, “Bandguiado”, “SBTguiado”, ah sei lá!

Do outro lado

Dizer que Michael Jackson não está presenciando toda essa mobilização de homenagens a seu favor, seria algo questionável e renderia muita discussão. O que fica de fato é uma frase de reflexão: nunca deixe para amanhã o que você pode fazer agora, pois o amanhã pode não chegar… Ah, valorizar o trabalho das pessoas enquanto elas estão vivas, nesse mundo, não faz mal a ninguém, não é?

É uma cidade muito engraçada e quando chove ninguém faz nada… Porque os milhões de dinheiro que movimentam a indústria do carnaval e do turismo não são investidos para preparar a cidade de Salvador para as chuvas?

Pagamos impostos e o que temos em troca são os deslizamentos de encostas e os bueiros entupidos. Faltam hospitais para atender a demanda da saúde pública, a volta da meningite, a proliferação da dengue, falta de aulas na rede pública, será o fim do mundo, não, seria mais certo dizer o fim da cidade…?

A primeira capital do Brasil está sucumbindo com o descaso das autoridades. Ah, sem lembrar que a violência urbana se multiplica em cada esquina, seja de carro ou de transporte coletivo, transitar por Salvador está um perigo. Assalto nas sinaleiras, em ônibus, nas ruas, nas escolas, no trabalho, no mercado…  Certo que esse dilema perpassa nas grandes capitais, mas o que fazer?

A cidade de todos os santos passa por problemas sociais que já são velhos conhecidos de muitos moradores e inclusive da grande mídia soteropolitana. A questão é que esses problemas estão se multiplicando, ao invés de serem amenizados com projetos e ações públicas. Como anda o orçamento e o planejamento para Salvador? Quanto está sendo destinado para ações públicas? Para onde é que vai mais verba? Saúde? Educação? Segurança pública?  Um dia desses, eu estava em uma palestra e ouvi o Prof. de História Normando Batista dizer o seguinte: Quer saber onde está a prioridade de um projeto? Vá ao planejamento e veja para onde é destinada a maior parte da verba.

Campanha eleitoral e Ibope

Em época de eleição as situações de calamidade pública são mostradas como “isca” para fisgar o eleitor, ninguém mostra a Salvador que os turistas conhecem. E enquanto não chega as eleições os programas televisivos sensacionalistas espetacularizam as mazelas sociais que acontecem na cidade, para ganhar ibope.

Políticos engravatados subindo e descendo nos guetos, nas ruas, nos becos, nas vielas… Só que quando a chuva cai, as casas deles não desabam… Eles chegam em casa de carro e o pobre chega em casa correndo para ver se o barraco não desabou.  Enquanto o ibope das emissoras sobe, o desespero e a necessidade dos protagonistas das notícias sensacionalistas aumentam.

Só para refletir: Quem coloca os políticos corruptos no poder? Quem dá ibope para esses programas nada jornalísticos?

Diante de tantos problemas sociais, deparo-me com a seguinte pergunta: Onde está a solução para amenizar as mazelas do cotidiano? A cada dia que passa e diante dos discursos que me rodeiam percebo que a educação é a resposta para tal, ela é a base para constituir um ser pensante, para atuar de fato na sociedade, enxergando de maneira crítica  o que lhe rodeia.

Não vou me ater em discutir as diretrizes da educação, mas lembrar que os primeiros professores que temos são os nossos pais. Por quantas vezes ouvi minha mãe dizer: A boa educação começa de casa! Agora, depois de mais de 8 anos na área da educação vejo  que ela estava correta, não é por acaso que  os filhos refletem para sociedade aquilo que lhe foi ensinado em seu seio familiar.

Quantos pais saem para trabalhar e deixam seus filhos dormindo e ao chegar à noite já os encontram dormindo novamente… O capitalismo voraz e a necessidade do “ter para progredir”, tem deixado as relações familiares sem alicerce. São pais e mães que precisam trabalhar para pagar, aluguel, compras, material escolar, cursos, comida, água, luz, telefone… Até nas horas vagas surgem os “bicos” para ganhar um extra, então, os domingos e feriados acabam sendo sacrificados para conseguir mais dinheiro para aumentar o orçamento financeiro.

E quem ajuda?

Na escola os professores estão esgotados, com as salas cheias, barulho, anos de ensino, salários baixos, desmotivação…. Programas televisivos “deseducativos”, espetacularizam a miséria em horário de almoço, às vezes a fome passa porque catchup que se coloca no macarrão parece com o sangue do rapaz que foi baleado na cabeça e a câmera ainda dá um zoom no corpo alvejado… “ Eu não gosto de assistir esses programas  que passam cenas de crime, mas também não posso mudar o canal da televisão  se não minha mãe reclama …” Desabafou uma aluna  da ONG Espaço Cacto e Trevo, Salvador-BA.

Na rua, a vizinhança só se preocupa com os seus.  Os filhos dos outros não são importantes? Um pensamento egoísta que contribui para que crianças e jovens  sigam por  caminhos tortuosos e na maioria das vezes sem volta. Foi-se o tempo em que os conhecidos eram co-participantes no processo educativo das pessoas; foi-se o tempo em que se consideravam as pessoas com mais idade; foi-se o tempo em que as mães levavam crianças nas escolas; foi-se o tempo em que os pais olhavam diariamente o diário dos alunos…

Até quando?

Até quando vamos ficar levando “porrada “? Até quando vamos ficar sem fazer nada ?  Essas perguntas que compõe a letra da música  – Até quando – cantada por Gabriel o pensador , composta por ele; Itaal Shur; Tiago Mocotó , retrata a nossa  inércia diante de tanta irresponsabilidade social e o pior é que engana-se aquele que pensa que o futuro estar pó vir. O futuro começa agora, mas a falta de conhecimento é um dos fatores que transforma os cidadãos brasileiros em “marionetes” na mão daqueles que sabem mais. As nossas crianças acabam sendo quase sempre reflexo daquilo que ela teve desde pequena…